Centro de Cidadania LGBT Gilmara Cunha

A Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH), através do Programa Rio Sem LGBTIfobia e em parceria com o Grupo Conexão G, inaugura o primeiro centro de cidadania LGBT em uma favela, o Centro de Cidadania LGBT Gilmara Cunha – Capital III, na Maré.

Por Gabriel Horsth – Centro de Teatro do Oprimido, Rio de Janeiro
13/10/2021 – 09:30

Inauguração do CCLGBT Gilmara Cunha | Foto: Matheus Affonso

A ativista dos Direitos Humanos Gilmara Cunha dedica parte significativa da sua vida à defesa e promoção dos direitos civis de pessoas LGBTQIA+ em favelas. Desde 2006, quando fundou a organização da sociedade civil Grupo Conexão G, a primeira ONG LGBT do Brasil em uma favela, Gilmara entendia o significado e a importância de desenvolver ações de reflexão sobre orientação sexual e identidade de gênero no contexto periférico. Como resultado da luta de mais de 15 anos, é inaugurado na Maré o primeiro centro de cidadania LGBT em uma favela, o Centro de Cidadania LGBT Gilmara Cunha – Capital III.

“A primeira ação do Conexão G na Maré foi a distribuição de preservativos no ponto de prostuição do Stop Time. Não imaginei que chegaríamos tão longe. O amor nos trouxe até aqui.”

Gilmara Cunha, coordenadora do CCLGBT Maré

Gilmara Cunha abriu o momento de falas resgatando o histórico de atuação da instituição Conexão G e salientou que “as políticas aplicadas em outros centros não será a mesma aplicada aqui, pois a realidade da Maré é outra”. Ela segue refletindo que a Maré vive uma realidade diferenciada de outras favelas cariocas, pois no conjunto de 16 favelas existe uma forte aliança, atrelada a uma atuação estratégica em rede, das instituições de Direitos Humanos. Essa aliança resulta em avanços significativos para a população, e o centro de cidadania é fruto também desse movimento. “Peço encarecidamente ao secretário presente que assuma a responsabilidade de expandir essa ação para outras favelas do Rio”, direciona Gilmara ao secretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro, Matheus Quintal, que esteve presente e comemorou a abertura do equipamento público. “Na cadeira de gestor, eu tenho pressa de ajudar quem tem dificuldade. O meu papel como gestor é potencializar projetos como esse”, afirmou o secretário.

Inauguração do CCLGBT Gilmara Cunha | Foto: Matheus Affonso

“Quando o poder público se relaciona com a gente (ONG) de maneira respeitosa, a gente constrói outros lugares. É possível uma outra Maré, é possível construir uma política inclusiva e não excludente. Precisamos ver os corpos de travestis e transexuais transitando formalmente pela favela.”

Gilmara Cunha, coordenadora do CCLGBT Maré

O centro de cidadania foi preparado para assegurar direitos essenciais e fundamentais para a população LGBTQIA+ através de atendimento de assistência social, psicológico e acompanhamento jurídico. O espaço, que nasce como mais um braço do Conexão G, também serve como centro de informação, acolhimento e mobilização territorial, promovendo políticas públicas de combate à LGBTQIA+fobia.

O CCLGBT Gilmara Cunha – Capital III, fica localizado na Rua Marcelo Machado (antiga Rua J), número 04, Nova Holanda. O equipamento público é o terceiro inaugurado este ano pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Em abril, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos inaugurou o CCLGBT de Campos dos Goytacazes, o primeiro na região Norte. Em julho foi a vez da região Noroeste receber o CCLGBT de Miracema. O Estado do Rio de Janeiro mantém atualmente 15 CCLGBTs. Os equipamentos estão distribuídos por todas as regiões e funcionam a partir de parcerias entre o governo e as prefeituras locais.

“Agora a Maré tem um local de acolhimento para chamar de seu.”

Gilmara Cunha, coordenadora do CCLGBT Maré

Artistas dos grupos teatrais do Centro de Teatro do Oprimido (Grupo Pantera e Grupo MaréMoTO, ambos da Maré) estiveram presentes na ação. Gabriel Horsth, diretor do Pantera, agradeceu o empenho de Gilmara Cunha e do Conexão G na garantia de direitos para juventude LGBTQIA+ mareense e afirmou, “O Estado está fazendo o seu papel pela primeira vez. Esse é o dever desta secretaria, garantir direitos e promover ação cidadã. Esse espaço é resultado de uma luta árdua do Conexão G e da Gilmara e merece ser eternizado”. 

Grupo Pantera | Foto: Matheus Affonso

“Enquanto uma mulher negra e lésbica desse território, estar aqui hoje, inaugurando esse centro, é muito importante para mim enquanto pessoa, mas também para mim enquanto movimento. Esse equipamento é uma peça fundamental para o acesso a direitos. Sendo ele o primeiro em uma favela, isso é ainda mais forte”, disse a assistente social do CCLGBT da Maré, Jaqueline Andrade.

O superintendente de Políticas LGBTI+ da SEDSODH, Ernane Alexandre, a coordenadora do Centro de Cidadania LGBT, Sharlene Rosa, o presidente do Grupo Arco-íris, Cláudio Nascimento, a vereadora, Mônica Benício, a diretora de Promoção de Direitos LGBT do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, Marina Reidel, e representantes da mandata da vereadora Thaís Ferreira também acompanharam a inauguração do CCLGBT da Maré, com mais de 80 pessoas presentes.

Inauguração do CCLGBT Gilmara Cunha | Foto: Matheus Affonso

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