Gabriel Horsth

Gabriel Horsth

coord. de comunicação

CTO realiza Simpósio de Teatro do Oprimido em Universidade do Texas em Austin

O intercâmbio conta com diversas atividades artísticas como peças teatrais, performances artísticas, lançamento de livro e mais

Data

O Centro de Teatro do Oprimido (CTO), por meio de uma colaboração com a Universidade do Texas em Austin, realizará o Simpósio de Teatro do Oprimido, de 21 a 29 de outubro, na cidade de Austin, capital do Texas, nos EUA. A programação conta com oficinas de Teatro do Oprimido (TO) e Teatro das Oprimidas (TA), apresentações de peças teatrais, performances artísticas, painéis de debates e lançamento do livro Teatro das Oprimidas em inglês, da criadora da metodologia, Bárbara Santos. O evento propõe o debate sobre arte e ativismo no Brasil a partir de uma abordagem interseccional. 

Atualmente, o CTO é liderado por uma equipe de profissionais e ativistas negros do teatro brasileiro, que também são líderes de grupos teatrais comunitários que exploram temáticas como o racismo, machismo, LGBTQIAPNfobia, classe social, saúde mental, entre outras, por meio da estética negra libertária do Teatro das Oprimidas. No Simpósio em Austin, os artistas provocarão discussões em torno de temas centrais a partir do conceito de interseccionalidade, uma ferramenta analitica que considera as distintas categorias de raça, etnia, classe, gênero, orientação sexual, nacionalidade – entre outras – como características sociais que se moldam mutuamente, apresentando as opressões conectadas com as camadas que moldam a vida, e não vistas de maneira isoladas. A equipe do CTO compartilhará seu vasto conhecimento com os métodos, contextualizando a história política do ativismo artístico no Brasil.

Teatro de resistência para transformar o mundo

A programação conta com grupos teatrais do CTO, como: Grupo Cor do Brasil, CIA CTO, Coletivo Madalena Anastácia e LAB. O Cor do Brasil, formado por pessoas negras, apresentará a peça de Teatro-Fórum “Suspeito”, que aborda o racismo institucional e difuso, que, apesar de estar presente no cotidiano de negros e negras, produz consequências concretas para a desigualdade racial no país. Essa desigualdade racial muitas vezes permanece imperceptível porque está camuflada em uma mistura de discursos de camaradagem e meritocracia.

O Coletivo Madalena Anastácia, formado por mulheres negras, apresentará a sua mais recente peça de Teatro-Fórum “Qual é o lugar dela?”, a pergunta que leva o nome da obra dá o tom do jogo em que posições sociais de poder, preestabelecidas e ratificadas por dinâmicas socioculturais, são questionadas pelas mulheres negras. A peça trabalha a natureza contraditória do avanço social das mulheres negras, que, ao subirem na escala social, são forçadas a se livrar de seu apego à identidade negra.

A CIA CTO, formada pela equipe da instituição, apresentará a peça de Teatro-Fórum “Gêneres”, que debate como a persistência na utilização de um conceito de gênero com estrutura binária pode afetar avanços sociais e promover a intolerância e a violência na convivência cotidiana. Como aprendemos a desempenhar papéis sociais a partir desse conceito de gênero? Quais mecanismos de “convencimento” ou de coerção são utilizados nos espaços sociais (família, escola, religião, etc.) para colocar cada pessoa em uma das duas caixinhas disponíveis: ele ou ela, azul ou rosa? Como mulheres aprendem a “ser mulheres”? Como homens aprendem a “ser homens”? Como eles aprendem que a linguagem da violência lhes é permitida?

O LAB, formado por pessoas LGBTQIAP+, apresentará a performance “Por Um Fio”, que retrata a dor e a luta contra a depressão e o suicidio, destacando a banalização dos processos psíquicos de pessoas LGBTQIAPN+ na sociedade.

A programação completa você confere em breve no site oficial do evento, clicando aqui.

Os pássaros da práxis

A parceria é fruto da articulação estratégica e política da multiplicadora Laura Rose Brylowski, mestra em Relações Étnico-Raciais pela CEFET/RJ e doutoranda em Letras Espanhol e Português na Universidade do Texas, que participou em 2015 da Residência Artística do CTO. O programa é permanente e prevê a experimentação prática, teórica e sistematizada da metodologia do Teatro do Oprimido e Teatro das Oprimidas, direcionada a estrangeiros e, também, a brasileiros. Atividades como: acompanhar projetos do CTO em andamento, participar de ensaios e apresentações dos grupos teatrais populares, colaborar com oficinas abertas, capacitações, seminários, grupos de estudo, pesquisa teórica com livros e vídeos – entre outras atividades.

Desde 1996 o CTO recebeu estudantes de diversos países: (América) Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela, Colômbia, Equador, México, Estados Unidos, Canadá; (África) Moçambique, Marrocos, Egito, Camarões, África do Sul; (Europa) Alemanha, França, Espanha, Noruega, Inglaterra, Itália, Dinamarca, Grécia, Portugal, Bélgica, Suíça; (Ásia) Índia, Japão e Nepal. Diversos estudantes fizeram parte do Programa de Intercâmbio da Unesco, um convênio feito com o CTO, única instituição da América Latina, para receber estrangeiros de países da África e Ásia. Muitos desses estudantes, ao voltarem para seus países, criaram projetos e estruturaram redes de Teatro do Oprimido que estão em desenvolvimento até os dias de hoje. Laura Rose fez parte dessa capacitação e agora leva o CTO até Austin, nos EUA, para fortalecer a prática da metodologia e as redes de troca multiculturais entre os países.

Sobre o Centro de Teatro do Oprimido

Centro de pesquisa e difusão que desenvolve a metodologia do Teatro do Oprimido em Laboratórios e Seminários de Dramaturgia, ambos de caráter permanente, para revisão, experimentação, análise e sistematização de exercícios, jogos e técnicas teatrais. O CTO foi dirigido por Augusto Boal ao longo de seus últimos 23 anos de vida e, hoje, sua equipe dá prosseguimento ao trabalho. A filosofia e as ações da instituição visam à democratização dos meios de produção cultural, como forma de expansão intelectual de seus participantes, além da propagação do Teatro do Oprimido e do Teatro das Oprimidas como meio da ativação e do democrático fortalecimento da cidadania. O CTO implementa projetos que estimulam a participação ativa e protagônica das camadas oprimidas da sociedade, e visam a transformação da realidade a partir do diálogo e de meios estéticos.

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