GRUPOS

Os grupos comunitários foram a base do Mandato Político Teatral do Vereador Augusto Boal, sendo o alicerce do projeto Teatro Legislativo. De 1993 a 1996, foram criados mais 50 grupos comunitários de Teatro do Oprimido na cidade do Rio de Janeiro, destes 19 tornaram-se estáveis, tendo durabilidade média de dois anos. Com o final do Mandato, não foi possível garantir o acompanhamento sistemático dos curingas aos grupos, por falta de recursos financeiros para o desenvolvimento das atividades. Ao longo de 1997, esses grupos foram se extinguindo e a equipe de curingas do Centro de Teatro do Oprimido compreendeu que não bastava apenas organizar grupos comunitários, era também fundamental capacitar curingas comunitários que garantissem a autonomia e a continuidade destes coletivos.

 

A partir de 1998, com o apoio da Fundação FORD, os curingas do Centro de Teatro do Oprimido realizaram oficinas demonstrativas em dezenas de comunidades, a fim de identificarem locais onde havia interesse e condições para o estabelecimento de um grupo teatral. Novos grupos comunitários surgiram, trazendo duas novidades: capacitação de curingas comunitários e elaboração de projetos de sustentabilidade.

 

Através dos grupos comunitários, integrantes de comunidades populares ou de grupos temáticos colocam seus problemas cotidianos em discussão pública, produzindo espetáculos de Teatro-Fórum e promovendo Sessões Solenes Simbólicas de Teatro Legislativo, para buscar alternativas para esses problemas. Com as experiências dos grupos populares e o estímulo à formação de novos curingas comunitários, o Centro de Teatro do Oprimido começa a intensificar seu processo de difusão da metodologia e a desenvolver junto aos grupos já existentes a pesquisa da Estética do Oprimido. 

 

Atualmente existem diversos grupos populares que atuam associados ao CTO. A parceria, além de intensificar o aprofundamento e desenvolvimento da metodologia, constrói lugares de protagonismo e autonomia que gera diversas possibilidades dos próprios grupos se manterem de forma sustentável e contínua. Essa formação construiu uma rede de apoio coletiva, onde grupos e coletivos de Teatro do Oprimido atuam como eixos centrais para transformação de seus territórios.

GTO COR DO BRASIL

 

Cor do Brasil é um coletivo que reúne artistas-ativistas afro-descendentes interessados em aprofundar e ampliar a discussão pública sobre o racismo através da Arte. Fundado em 2010, o coletivo investe sua diversidade e cabedal criativo e intelectual em diversas produções artísticas. O coletivo produziu três espetáculos teatrais: Cor do Brasil (que deu origem ao grupo); Saco Preto e Suspeito.

A Estética do Oprimido é a principal inspiração para suas produções estéticas. A dança negra é uma importante fonte de pesquisa e de expressão. Som e Ritmo é a base “textual”, os corpos falam através de movimentos coreografados pelo tema a ser abordado. A musicalidade se associa à linguagem não-verbal para uma comunicação imagética potente e criativa.

GTO PIREI NA CENNA

 

Grupo criado em 1997. É composto por usuários e familiares de Saúde Mental, tem como premissa discutir, através do Teatro do Oprimido, temas pertinentes ao universo da loucura e saúde mental.  Com 7 obras no repertório, em 2012 o Grupo recebeu o Prêmio Agente Jovem de Cultura do Ministério da Cultura. Em 2009 outro prêmio: o Prêmio Loucos pela diversidade da Secretaria de Cidadania Cultural do MinC. Em 2017 foi contemplado com o Prêmio Culturas Populares (MinC).

GTO MARÉMOTO 

 

O MaréMoTO nasce como um dos grupos do Teatro do Oprimido na Maré 2014/2016. Com sede no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, tem como principal parceiro o Museu da Maré onde realiza ensaios semanais, oficinas e pesquisas estéticas. O grupo é formado por moradores e moradoras da Maré que são atravessados pelas condições históricas racistas, machistas e homofóbicas que mantém essas pessoas na injustiça e desigualdade social, pois mesmo os integrantes estando na faculdade ainda enfrentam as barreiras concretas e invisíveis (objetivas e subjetivas) que  jovens favelados tem de encarar para exercer e usufruir o seu pleno direito à cidade, à cidadania…a vida!.

GTO MARIAS DO BRASIL 

 

O Marias do Brasil, criado em 1998, é formado por mulheres trabalhadoras domésticas de maioria migrantes nordestinas e com nome de Marias. O Coletivo possui três espetáculos, “Quando o verde dos seus olhos se espalhar na plantação”, “Eu Também Sou Mulher” e o mais recente “Nós não somos invisíveis”. Todas as peças do Grupo abordam as injustiças sofridas pela categoria das trabalhadoras domésticas que não possui todos os direitos trabalhistas assegurados pela lei e/ou não cumprido por seus empregadores. Em 2015 conquista o prêmio Ações Locais da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, em 2017 o grupo ganha um novo prêmio: o Culturas Populares, do Ministério da Cultura, edição Leandro Gomes de barros.

COLETIVO MADALENA ANASTÁCIA

 

Madalena-Anastácia, formado por mulheres negras em 2015, propõe revelar as articulações entre opressão de gênero e raça e como isso afeta as mulheres negras, quebrando a falsa ideia de homogeneização entre as mulheres, potencializando a cooperação e transformação. O coletivo possui as peças de Teatro-Fórum “Consciência do Cabelo aos Pés”, que retrata as opressões vividas por mulheres negras; e “Nêga ou Negra?”, produção de Dança desenvolvida a partir de investigação estética sobre a relação entre hits musicais e perpetuação de racismo e machismo sofrido por mulheres negras. 

COLETIVO MADALENAS RIO 

 

Madalenas Rio é um coletivo de mulheres que, através do Teatro Das Oprimidas, investiga as relações sociais de gênero. O coletivo integra o Movimento Internacional Madalenas – Teatro Das Oprimidas, e tem como princípio atuar pela ampliação do debate sobre estratégias de superação feminista nos cotidianos pessoais e sociais, ao levar nosso debate e vivência para o encontro de outras mulheres. Com o Teatro das Oprimidas nos questionamos: o que significa ser uma mulher? Como este fato influencia nossas vidas? Quais opressões vivemos no dia a dia e como as combatemos de pé? Quantos silêncios precisamos quebrar para desenvolvermos nosso potencial como pessoas múltiplas, sujeitas das próprias histórias?

Criado em 2013, o Coletivo Madalenas Rio propõe a investigação acerca das diversas formas de violência sobre as quais os corpos das mulheres são submetidos, tanto nos espaços públicos quanto privados, em busca de alternativas concretas para que estas opressões sejam superadas. Afinal, somos mesmo donas de nossos corpos?

 

Madalenas Rio é um coletivo de mulheres que, através do Teatro Das Oprimidas, investiga as relações sociais de gênero. O coletivo integra o Movimento Internacional Madalenas – Teatro Das Oprimidas, e tem como princípio atuar pela ampliação do debate sobre estratégias de superação feminista nos cotidianos pessoais e sociais, ao levar nosso debate e vivência para outras mulheres. O que significa ser mulher? Como este fato influencia nossas vidas? Quais opressões vivemos no dia a dia e como as combatemos de pé? Quantos silêncios precisamos quebrar para desenvolvermos nosso potencial como pessoas múltiplas, sujeitas das próprias histórias?

Criado em 2013, o Coletivo Madalenas Rio hoje propõe a investigação específica acerca das diversas formas de violência sobre as quais os corpos das mulheres estão submetidos, tanto nos espaços públicos quanto privados, em busca de alternativas concretas para que estas opressões sejam superadas. Afinal, somos mesmo donas de nossos corpos?

GTP PONTO CHIC

Formado em 2017, o grupo é composto por jovens do bairro de Ponto Chic, Nova Iguaçu. Através do Teatro do Oprimido este coletivo tem discutido as opressões sofridas por serem jovens moradores de um bairro periférico e descoberto outras opressões presentes em suas vidas como o racismo e o machismo ao se perceberem um grupo na maioria composto por mulheres  negras…e negros.

GRUPO PANTERA

 

O Grupo Pantera é composto por jovens LGBTQIA+, artistas e favelados. Moradores do conjunto de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, o coletivo nasce do Laboratório LGBT de Teatro do Oprimido, contemplado pelo prêmio Plano de Autonomia Territorial. Realizado em 2017, o espaço surgiu através da parceria entre o Grupo Conexão G de Cidadania LGBT de Favelas e o CTO. O grupo debate o entroncamento de opressões como LGBTfobia, machismo e racismo, atrelado a xenofobia sofrida pelos LGBTQIA+ favelados. O coletivo tem a missão urgente de ligar o fazer teatral à transformação de realidades injustas discutindo as opressões ligadas a comunidade LGBTQIA+ que vive em espaços periféricos dominados pelo narcotráfico. 

ETP – ESCOLA DE TEATRO POPULAR

 

A ETP, fundada em 2017, é um espaço de formação política e estética de movimentos sociais organizados e não organizados através da prática e teorias de metodologias teatrais críticas como Teatro do Oprimido, Teatro Épico e outras. Os militantes aprendem técnicas teatrais que são multiplicadas em seus espaços próprios de militância (ocupações, acampamentos/assentamentos, núcleos de base…) sob a forma de espetáculos ou de oficinas replicadas para outros militantes. Para além dos processos teatrais, palestras sobre os temas das peças criadas pelos participantes que serão feitas como parte do processo de pesquisa. A interligação entre as aulas teóricas/práticas no Centro de Teatro do Oprimido-RJ e sua aplicação na realidade local dos alunos é o coração da ETP.

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