O Centro de Teatro do Oprimido - CTO-Rio recebe durante todo ano, dentro de seu programa de Intercâmbio Internacional, estudantes, pesquisadores e praticantes de Teatro do Oprimido de todo o mundo interessados em conhecer, pesquisar ou se aprofundar no Método do Teatro do Oprimido. Interessados da África e da Ásia são beneficiados pelo programa de bolsas da UNESCO, que seleciona um participante por ano e financia sua permanência no CTO-Rio por três meses, incluindo viagens, hospedagem, alimentação e ajuda de custo.

O CTO-Rio NÃO é uma escola formal, por isso não oferece um programa curricular com número estipulado de aulas ou carga horária pré-estabelecida. O Intercâmbio Internacional do CTO-Rio é um programa de atividades. Nele, os participantes acompanham o desenvolvimento dos projetos, os ensaios e apresentações dos Grupos Populares, as Oficinas Teatrais, as produções de espetáculos do elenco permanente, assim como todas as atividades promovidas pela instituição que integra a rede de Pontos de Cultura, vinculada ao Ministério da Cultura.

Além disso, os integrantes do Intercâmbio também podem participar de alguns dos Seminários e Laboratórios Teatrais dirigidos por Augusto Boal.

O CTO-Rio ainda disponibiliza aos participantes do Intercâmbio seu acervo de fotografias, vídeos, textos teatrais, livros, material promocional e publicações, que constituem uma pequena mostra da história da instituição e do Teatro do Oprimido no Brasil e no mundo.
Para que a experiência seja proveitosa para o participante, o indicado é que o Intercâmbio seja de pelo menos três meses. Se não houver essa possibilidade, o período mínimo exigido para participação é de um mês. Se o interessado não tiver nem mesmo essa possibilidade, ainda assim pode entrar em contato com a instituição e agendar uma visita a alguma das atividades desenvolvidas no Rio de Janeiro, no período em que estiver na cidade.

Maiores informações: flaviosanctum@ctorio.org.br

 

 

F
otos e depoimentos para você conhecer alguns dos
participantes desse programa que foi iniciado em 1993.

Julia Melin

 

 

 

 

 

 

Diário de uma Revolucionária
A minha experiência no CTO-Rio me fez ver teatro de uma maneira diferente e me fez acreditar que e possível mudar o mundo através da arte. Desde minha participação no Intercâmbio Internacional, há mais ou menos quatro anos atrás, eu venho aplicando a filosofia do Teatro do Oprimido no meu trabalho e na minha vida. Eu me senti muito honrada em poder trabalhar diretamente com o Augusto Boal, e de participar de workshops do Teatro do Oprimido com os curingas.
Também participei de um grupo de mulheres que falava sobre opressões que nós tínhamos sofrido. Foi muito importante perceber que ninguém pode ser oprimido se você lutar contra isso, e que todos sempre deveriam lutar contra opressão. É muito bom saber que também podemos ajudar outras pessoas a lutarem contra a opressão na vida delas. Isso foi uma meta que adotei na minha vida: sempre lutar contra opressão, seja na minha vida pessoal, no meu trabalho ou quando percebo opressão alheia. Quanto mais pessoas perceberem isto, menos pessoas serão oprimidas no mundo.
Enquanto eu estava trabalhando com o CTO-Rio fui aceita na Unicamp e me mudei para São Paulo. Apenas depois de um semestre na Unicamp, eu recebi uma bolsa para estudar nos Estados Unidos, na Universidade de Kansas. Estou me especializando em teatro, cinema e jornalismo. Viajei para a Índia em 2004 e demonstrei algumas técnicas de Teatro do Oprimido para um grupo de teatro indiano, e eles foram bastante receptivos.
Trabalhar com o CTO-Rio fez com que eu me tornasse uma pessoa mais consciente das opressões presentes no dia-a-dia, e acho que vou carregar isso comigo a minha vida inteira. Sempre lembro do Boal falando que se você não tem medo do seu opressor, o opressor não tem poder sobre você. O Boal foi e sempre será uma inspiração na minha vida e meu grande mentor. Sempre penso nos ideais que ele representa e na sua luta. Eu espero poder ser sempre uma revolucionaria, como Augusto Boal.