Augusto Boal Bio

Desde criança, Boal escrevia, ensaiava e montava suas próprias peças nos encontros de família. Sua formação em Engenharia Química torna-se paralela à pesquisa, à criação de textos teatrais lidos e comentados por Nelson Rodrigues. Estuda na Columbia University com John Gasner e assiste às montagens do Actor’s Studio. Em 1956,  volta ao Brasil a convite de Sábato Magaldi e Zé Renato para dirigir o Teatro de Arena de São Paulo. O grupo provoca uma revolução estética no teatro brasileiro nos anos 50 e 60. Através do Seminário de Dramaturgia, do Laboratório de Interpretação e das diversas montagens, o Teatro de Arena contribui vigorosamente para a criação de uma dramaturgia genuinamente brasileira. A partir 1964, a Ditadura Militar inicia a perseguição a todos os indivíduos e grupos de artistas com preocupações sociais e políticas. Em 1968, vem o AI-5 que aperta ainda mais o cerco. Em 1970, O Núcleo Dois do Arena inicia os primeiros experimentos do Teatro-Jornal, o embrião do Teatro do Oprimido. Em fevereiro de 1971, Augusto Boal é preso, torturado e exilado. Passando a residir na Argentina, de 1971-1976, dirige o grupo “El Machete” de Buenos Aires e monta, de sua autoria, “O Grande Acordo Internacional do Tio Patinhas”, “Torquemada” (sobre a tortura no Brasil) e “Revolução na América do Sul”, iniciando intensas viagens por toda a América Latina, onde começa a desenvolver novas técnicas do “Teatro do Oprimido”: Teatro-Imagem, Teatro-Invisível e Teatro-Fórum. Em 1976 muda-se para Lisboa, onde dirige o grupo “A Barraca”. Dois anos depois é convidado para lecionar na Université de la Sorbonne-Nouvelle. Em Paris, cria o Centre du Théatre de l´Opprimé-Augusto Boal, em 1979. Trabalha em muitos países europeus e desenvolve as técnicas introspectivas do Teatro do Oprimido: o Arco-Íris do Desejo. Antes de regressar definitivamente ao Brasil, monta no Rio de Janeiro “O Corsário do Rei” (de sua autoria, letras de Chico Buarque, música de Edu Lobo) e “Fedra” de Racine, com Fernanda Montenegro. A convite do então Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, professor Darcy Ribeiro, Boal volta ao Brasil em 1986 para dirigir a FÁBRICA DE TEATRO POPULAR. O objetivo era tornar a linguagem teatral acessível a todos, como estímulo ao diálogo e à transformação da realidade social. Ainda em 1986, junto com artistas populares, cria o Centro de Teatro do Oprimido – CTO, para difundir o Teatro do Oprimido no Brasil. No CTO-Rio, desenvolve projetos com ONGs, sindicatos, universidades e prefeituras. Em 1992, candidata-se e é eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro pelo PT (Partido dos Trabalhadores), para fazer Teatro-Fórum e, a partir da intervenção dos espectadores, criar projetos de lei: é o Teatro Legislativo. Após transformar o espectador em ator com o Teatro do Oprimido, Boal transforma o eleitor em legislador. Utilizando o Teatro como Política, em Sessões Solenes Simbólicas, encaminha à Câmara de Vereadores 33 projetos de lei, dos quais 14 tornam-se leis municipais, entre 1993 a 1996. A partir de 1996, fora da Câmara dos Vereadores, Boal e o CTO seguem na consolidação do Teatro Legislativo Em 1998, conseguem o apoio da Fundação Ford, para a criação de grupos comunitários de Teatro do Oprimido. Boal também realizou diversas Sessões Solenes Simbólicas, de Teatro Legislativo, no exterior: no “Great London Council” – Londres, com a participação de escritores como: Lisa Jardine, Tarik Ali, Paul Heller e advogados dos Tribunais de Londres; em Bradford, na Câmara Legislativa da cidade, sobre questões relativas aos portadores da Síndrome de Down; na Sala da Comissão de Justiça do Rathaus (Prefeitura) de Munique, com apoio da Sociedade Paulo Freire. Em 1999, transforma a ópera “Carmem” de Bizet em SAMBÓPERA, uma experiência inovadora que traduziu as músicas originais para ritmos genuinamente brasileiros. Carmem ficou em temporada no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Em julho de 2000, estreou em Paris. Em 2001, “La Traviata” é montada também como SAMBÓPERA e faz circuito no Rio de Janeiro. Sua mais recente pesquisa é a Estética do Oprimido, programa de formação estética que integra experiências com o SOM, PALAVRA, IMAGEM e ÉTICA. A Estética do Oprimido tem por fundamento a crença de que somos todos melhores do que pensamos ser, e capazes de fazer mais do que aquilo que efetivamente realizamos: todo ser humano é expansivo. Augusto Boal é autor de diversas obras literárias lançadas nos mais diversos idiomas, além de colecionar um arsenal extraordinário de prêmios e honrarias. A principal criação de Augusto Boal, o Teatro do Oprimido, é hoje uma realidade mundial, sendo a metodologia teatral mais conhecida e praticada nos cinco continentes. Augusto Boal faleceu no dia 02 de maio de 2009, no Rio de Janeiro.

BIBLIOGRAFIA

Estética do Oprimido – Garamond, 2009

JaneStipfire (edição revisada) – Civilização Brasileira, 2003

O Teatro como arte marcial – Garamond, 2003

(http://www.garamond.com.br/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=277)

Hamlet e o filho do padeiro – Civilização Brasileira, 2000

Jogos para atores e não atores – Civilização Brasileira, 1999

Teatro Legislativo – Civilização Brasileira, 1996

Aqui Ninguém é Burro! – Revan, 1996

O Suicida com Medo da Morte – Civilização Brasileira, 1992

Duzentos Exercícios e Jogos para Ator e Não-Ator com Vontade de Dizer Algo através do Teatro – Civilização Brasileira, 1991

O Arco-Iris do Desejo – Civilização Brasileira, 1990

Teatro de Augusto Boal 2 – HUCITEC, 1986

Teatro de Augusto Boal 1 – HUCITEC, 1986

O Corsário do Rei – Civilização Brasileira, 1986

Teatro do Oprimido e Outras Poéticas Políticas – Civilização Brasileira, 1985

Stop C’est Magique – Civilização Brasileira, 1980

Milagre no Brasi – Civilização Brasileira, 1979

Murro em Ponta de Faca – HUCITEC, 1978

Jane Spitfire – DECRI, 1977

Técnicas Latino-Americanas de Teatro Popular – HUCITEC, 1975

Crônicas de Nuestra América – CODECRI, 1973

Categorias de Teatro Popular (Buenos Aires) – Ediciones CEPE, 1972

Arena conta Tiradentes – Sagarana, 1967

PREMIAÇÕES

2009 – Nomeado Embaixador Mundial do Teatro pela UNESCO

2008 – Concorreu ao Prêmio Nobel da Paz

2003 – Título de ECO-CIDADÃO, Prefeitura de Macaé

2003 – Proclamation – City of New York – Theater of the Oppressed Day – 27 de maio

2001 – Doctor Honoris Causa in Literature, University of London, Queen Mary, UK

2000 – Montgomery Fellow, Dartmouth College, Hanover, USA

2000 – Doctor Honoris Causa in Fine Arts, Worcester State College, USA

2000 – Proclamation of the City of Bowling Green, Ohio. USA

1999 – HONRA AO MÉRITO, União e Olho Vivo, 1999-12-07

1998 – PREMI D´HONOR, Institutet de Teatre, Barcelona, Spain

1998 – PREMIO DE HONOR, Instituto de Teatro, Ciudad de Puebla, México

1997 – Prix du Mérite, Ministère de la Culture de l´Egypt

1997 – Lifetime Achievement Award of Americam – As of Theatre in Higher Education

1996 – Cultural Medal – Götemborg University

1996 – Doctor Honoris Causa – in Human Letters – Nebraska University

1995 – The Best Special Presentation – Manchester News -UK

1995 – Prix Culturel – Institut Fuer Jugendarbeit – Gauting – Baviera

1995 – Outstanding Cultural Contribution, Queensland University of Technology

1994 – Medalha Pablo Picasso da Unesco

1994 – Prêmio Cultural Award da cidade de Gavle-Suécia

1981 – Officier des Arts et des Letras- Condecoração – France

1971 – Prêmio Obie Award -Feira Latino Americana de Opinião – Estados Unidos

1967 – Prêmio Moliére pela criação do Sistema Coringa, Brasil

1965 – Prêmio Moliére Para o espetáculo Mandragora de Maquiavel, Brasil

 

1962 – Prêmio Padre Ventura, melhor diretor do ano, São Paulo, Brasil